terça-feira, 8 de dezembro de 2009

GESTÃO EM ERGONOMIA INDUSTRIAL

O que é Gestão em Ergonomia Industrial?
Gestão significa gerenciar, supervisionar. Gestão em Ergonomia Industrial seria coordenar um programa de ergonomia dentro da empresa (micro ou macroempresa). Programas que têm a finalidade de adaptar as condições de trabalho ao ser humano, de forma que possa aumentar o conforto e a produtividade.

Quais são os objetivos principais da Gestão Ergonômica Industrial?
Os objetivos principais são:
•Melhorar o nível de conforto dos postos de trabalho através de melhoria e capacitação;
•Classificação dos postos de trabalho e seus riscos ergonômicos;
•Criar e capacitar comitês de gerenciamento por áreas e parceiras;
•Criar e capacitar grupos de solução por áreas e parceiras;
•Envolver todos os funcionários na busca do conforto e produtividade através da melhoria contínua;
•Diminuir e controlar queixas médicas relacionadas à doenças ocupacionais, quase acidentes e acidentes;
•Diminuir o absenteísmo provocado por doenças ocupacionais.
O que é gestão do processo?
É uma ferramenta estratégica para a estabilidade da empresa no mercado, pois atualmente a sociedade tem como base o esforço cooperativo, onde a integração das atividades e dos processos do trabalho é prioridade nas empresas. Por outro lado, é domínio comum que o desenvolvimento organizacional só ocorre quando a empresa consegue antecipar suas necessidades tecnológicas e previr suas oportunidades de mercado.

Qual é a proposta para a gestão de processo dentro do contexto ergonômico?
A gestão do processo pode estar associada a parâmetros de melhoria de qualidade e avanços tecnológicos. Entretanto, para que a sistematização do processo ocorra de forma satisfatória nas empresas, parâmetros ergonômicos devem ser considerados, pois a ergonomia ligada a Gestão do Processo de Qualidade nas Organizações, diz respeito à interface organização-máquina ou macroergonomia, onde se tem análise metodológica e pareceres ergonômicos enfatizando a organização como um todo.

Como é a implantação da Gestão Ergonômica na Indústria?
Para cada objetivo há um programa específico. Primeiramente é necessário que seja feita uma análise dos postos de trabalho, depois e/ou concomitante uma análise dos processos administrativos, depois propor sugestões de melhorias diretas e indiretas na saúde do trabalhador.

O que é análise ergonômica?
Análise ergonômica do trabalho tem como objeto o estudo das exigências e das condições de trabalho, das atitudes e das sequencias operatórias que emergem da realização de uma determinada tarefa. Portanto, uma análise ergonômica é muito mais complexa que a simples observação dos mobiliários de trabalho.

O que é análise ergonômica qualitativa?
A análise qualitativa compreende uma avaliação das condições de trabalho basicamente através da observação da forma com que se trabalha e de entrevista com os trabalhadores e encarregados. Para tanto, o ergonomista responsável pelo trabalho baseia-se no seu conhecimento técnico sobre ergonomia, procurando verificar se as leis gerais do aproveitamento racional e de respeito às características fisiológicas e biomecânicas do trabalhador estão sendo seguidas naquela condição de trabalho.

A análise ergonômica qualitativa pode ser considerada uma análise participativa?
Sim. Envolver o trabalhador é fundamental e ocorre nas seguintes etapas:
•Entrevista com os trabalhadores, identificando com eles as ações técnicas que envolvem desconforto, dificuldade, fadiga excessiva e mesmo dor;
•Percepção dos trabalhadores quanto às melhorias necessárias visando eliminar o desconforto e as dificuldades;
•Participação na análise ergonômica do trabalhador experiente, do técnico da máquina, do facilitador e de outras pessoas necessárias (manutenção, suprimento, responsável por terceiros, etc.);
•Identificação sistemática de ações técnicas no trabalho, situações ergonomicamente inadequadas, riscos para o organismo, gravidade e medidas de melhoria ergonômica;
•Análise detalhada da organização do trabalho, através de entrevistas e procura de dados secundários da organização e verificação detalhada de mecanismos de regulação existentes.
Qual a visão atual de Gestão Ergonômica participativa?
A participação do trabalhador tem tido uma grande diversidade de significados, formas e motivos do século vinte. Muitos termos diferentes são usados para descrever o envolvimento ativo do trabalhador na tomada de decisão no trabalho:
•Participação do trabalhador;
•Democracia industrial, controle dos trabalhadores;
•Autogerenciamento;
•Democracia no local de trabalho;
•Co-determinação;
•Envolvimento dos empregados;
•Qualidade de vida no trabalho.
Esta diversidade reflete não somente períodos históricos, tradições nacionais ou teorias acadêmicas, mas a realidade do conflito e significado, discutidos sobre a natureza do trabalho, a distribuição do poder e, muito frequentemente, o futuro da própria sociedade industrial.

É na análise qualitativa que se descobre o risco ergonômico?
Sim. Porém dados precisos numéricos se obtém na análise quantitativa. Mesmo assim, é possível saber o grau do risco ergonômico, se é inexistente, baixo ou alto. É neste momento que o ergonomista tem em mente as definições das melhorias necessárias, as possíveis soluções provisórias até a adoção das soluções definitivas e principalmente, clara definição de prioridades.

O que é análise ergonômica quantitativa?
São medições precisas, científicas dos postos de trabalho. Por exemplo: quando o trabalhador exerce grande esforço com a coluna vertebral, a intensidade do esforço é quantificada com o uso de modelo biomecânico computadorizado tridimensional, ferramenta desenvolvida pela Universidade de Michigan, EUA. Este programa de computador nos informa a força de compressão nos discos da coluna vertebral naquela tarefa, informando também a percentagem de trabalhadores capazes de fazer aquela tarefa em cada uma das articulações do corpo.

Quais Instrumentos científicos que podem quantificar o trabalho dos funcionários na indústria?
São instrumentos de conhecimento técnico, que se têm valores quantitatíveis.
•Eletromiografia de superfície;
•Dinamometria;
•Critério NIOSH;
•Metabolimetria ou Medida do Dispêndio de Energia no Trabalho;
•Determinação do IBUTG, (Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo);
•Decibelimetria; etc.
Qual a diferença entre o laudo ergonômico e análise ergonômica?
Um laudo geralmente é solicitado mediante uma solicitação do auditor fiscal do trabalho, quando encontrada alguma irregularidade, alguma situação de não conformidade. Aproxima-se mais do sentido de perícia. Sempre que um laudo é solicitado espera-se respostas a todos os itens observados, mas não necessariamente todos os itens que circundam uma situação de trabalho, atributos da Análise Ergonômica do Trabalho.

Em quais outros aspectos objetiva uma análise ergonômica?
A Análise do Trabalho se fixa sobre duas abordagens complementares:
•A Tarefa (indica o que é para fazer; é o trabalho dito, prescrito).
•Atividade (indica o que realmente é feito por um operador para executar uma tarefa) num dado momento.
Entre uma e outra há, invariavelmente, diferenças por vezes profundas e que são reveladas pela análise da atividade.

E o que se pretende com esta análise?
•Por em evidência as falhas da organização;
•Ajudar a hierarquizar os constrangimentos da situação de trabalho;
•Explicar as relações entre as condições internas e externas;
•Ajudar a compreender as consequências sobre a saúde.
Como realizar a análise do ambiente de trabalho na indústria?
Na análise ergonômica é importante analisar:
•As dimensões do posto de trabalho, áreas de deslocamento.
•As características dos meios materiais de trabalho: dimensões, manuseamento das ferramentas, das máquinas, dos comandos, modalidade de apresentação das informações.
•As características dos objetos de trabalho: documentos, peças a montar, a transformar.
•Os ambientes físicos: iluminação, ruído, vibrações, calor ou frio, poeiras.
•Imposições temporais: horários e duração do trabalho, rendimento.
•A organização do trabalho: repartição das tarefas, ordens operatórias.
•Os sinais a respeitar para assegurar a segurança, a qualidade e a quantidade de produção.
Após o diagnóstico da análise ergonômica, uma das medidas de gestão é o Comitê de Ergonomia, como funciona?
Ele é formado por um Comitê Interno de Ergonomia que engloba representantes da empresa e dos funcionários, utilizando as ferramentas da ergonomia de conscientização. O foco principal do Comitê de Ergonomia é a prática da ergonomia de conscientização, sendo que essa se faz a partir do primeiro grupo a ser conscientizado.

Quem é o gestor da ergonomia na indústria?
Quando os programas estão implantados, a ergonomia é responsabilidade de todos. Da gerência, dos supervisores, e principalmente dos trabalhadores colaboradores. Nos comitês há um colaborador, o técnico de segurança no trabalho, que desempenha papel importante. Na maioria dos casos quem dirige a ergonomia da empresa é o profissional especializado em ergonomia.

Qual a importância dos trabalhadores na eficácia da Gestão em Ergonomia Industrial?
A consciência individual e coletiva exige de seus gestores e demais pessoas da empresa visão de globalidade, isto é, saber o que sua tarefa significa na totalidade organizacional. O trabalhador consciente da importância da ergonomia, da prevenção de acidentes e consequentemente sua própria saúde é a meta dos gestores.

Para esta eficácia ser traduzida em números, redução do absenteísmo (falta ao trabalho), o que é essencial?
Sem dúvida o envolvimento consciente de todos os colaboradores. Quando a gerência e os funcionários acreditam que é possível esta redução, todos os programas de ergonomia funcionam. O colaborador que realiza a ginástica laboral por obrigação, por exemplo, ainda não entendeu o que é ergonomia.

Veja mais sobre o assunto:
Ergonomia e Conscientização
http://www.mundoergonomia.com.br/website/conteudo.asp?id_website_categoria_conteudo=9769&cod=1847&idi=1&moe=74

Análise e Intervenção Ergonômica
http://www.ruijose.com/pt/ergonomia.html#Análise%20e%20Intervenção%20Ergonómica

Gestão do processo aliada a ergonomia para microempresas
http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2004_Enegep0403_0767.pdf

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